Esqueci
e-mails.
nomes.
telefones.
recados.
abraços.
brigas.
ligações.
tickets.
trocos.
cd's.
Ele, o meu computador,
tentou me avisar:
Memória Virtual Mínima Muito Baixa.
Eu, como sempre,
nem tratei de escutar.
Antes que esse ano acabe eu viro as costas.
Sacudo a poeira dos pés.
Do passado levo apenas a lembrança do que poderia ter sido e não foi.
O que não foi eu guardo no lado avesso das roupas.
E se minha perna alcancasse, eu pulava do dia vinte e três para o dia dois, quando tudo volta ao normal e eu posso sentir o ar da ousadia nos meus pulmões.
Sacudo a poeira dos pés.
Do passado levo apenas a lembrança do que poderia ter sido e não foi.
O que não foi eu guardo no lado avesso das roupas.
E se minha perna alcancasse, eu pulava do dia vinte e três para o dia dois, quando tudo volta ao normal e eu posso sentir o ar da ousadia nos meus pulmões.
Menina Azul,
Em terra quente, quando quase chove, até quem não queria viver germina. E se você quase vem dá até pra eu ensaiar um suorzinho na testa só pra ouvir seus comentários curiosos sobre o calor daqui da cidade.
Sinto saudade das nossas andanças pelo centro, de você fotografando cada árvore que encontrava no caminho, da nossa pressa pra você não perder o vôo, dessas coisas bestas que a gente lembra e dá aquele riso espontâneo de felicidade.
Suas cartas sempre cheias de novidades, das revistas que você usa para fazer os envelopes, de relatórios sobre o que você tem feito, os amores que conquistou viajando pelo país, as peças de teatro, as músicas que fazem você soltar sempre um 'queria que você estivesse aqui' a cada vez que nos falamos. Tudo me conforta e traz alegria.
Não se incomode com minhas respostas soltas, atrasadas e desalinhadas, às vezes tristes. Guardei um punhado de alegria pra quando estivermos num quiosque, naquele país onde você quer estar tanto quanto eu.
Das promessas para o novo ano levo a de nos vermos, quero ver se Belenzinho é bom mesmo como você diz ser.
Beijo imenso, fica aqui o meu registro de amizade e saudade.
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior.
Morar no interior do meu interior.
Eles discutem o preço da contribuição da festinha de natal enquanto abrem a minha pele. E puxam, e puxam, e costuram, e fecham. Eu até queria poder lembrá-los que ali era uma mesa de cirurgia e não uma mesa de bar, mas não pude.
A moça aprendiz de instrumentadora diz não saber preencher fichas e eles riem. Mais uma que não vai durar muito nos corredores do hospitalzinho capitalista, devem ter pensado.
Sala de repouso.
A mulher resmunga três vezes pra que eu mexa o meu pé. E eu fiz o maior esforço pra ver se mexia e, assim, chutar aquela cara de mulher mal paga e mal alimentada.
Dor. Dor. Dor.
Picadas pelo corpo. Reação à anestesia. Corre, enfermeira, traz uma injeção pra cortar o efeito.
Alta.
Nada pra (poder) fazer em casa.
Restam os livros, apostilas, música e este blog.
Voltei.
Deixe os bilhetes na geladeira ou na mesinha da sala.
Alto lá, Sra. 212.
Não sou paranóico por dramaturgias que não saíram do papel.
É que sempre fui bom com sintonias. E você, você parece nunca ter sido muito boa com antenas de rádio.
Não sou paranóico por dramaturgias que não saíram do papel.
É que sempre fui bom com sintonias. E você, você parece nunca ter sido muito boa com antenas de rádio.
Seus olhos brilham quando falo ao telefone como quem pede pra estar do outro lado e não pode.
Seu egoísmo não me quer na cama, espaçosa apenas para você e suas grandes almofadas.
Você é muito eu, sabia?
Sua tristeza não parece com a minha, dura só enquanto um novo abraço não vem.
E se chamo não me ouve, mergulhada em desobertas que lhe impedem de olhar em volta.
Você é muito ela, talvez.
Seu egoísmo não me quer na cama, espaçosa apenas para você e suas grandes almofadas.
Você é muito eu, sabia?
Sua tristeza não parece com a minha, dura só enquanto um novo abraço não vem.
E se chamo não me ouve, mergulhada em desobertas que lhe impedem de olhar em volta.
Você é muito ela, talvez.
Quando se quebra a dormência de uma semente, ela só pensa em crescer e crescer.
Isso explica minha vontade desenfreada de escrever, escrever e escrever...
E é tão bom sentir isso outra vez.
Usufruir do punho agora.
A isso eu chamo de felicidade sem o dia seguinte.
Isso explica minha vontade desenfreada de escrever, escrever e escrever...
E é tão bom sentir isso outra vez.
Usufruir do punho agora.
A isso eu chamo de felicidade sem o dia seguinte.
Eu digo oi como quem passa distraído e vê a porta aberta. Você responde como quem faz questão de não passar a chave só pra escutar o ranger da porta empurrada pelo vento. Trocamos historinhas casuais de nossas vidas. Você continua linda, digo. Um pé no passado e eu não percebia. O termômetro falhou. Tudo dentro de nós ferve e dizemos que o mundo está aquecendo por causa das geleiras.
Atiço suas verdades para mostrar as minhas. O beijo que você não deu lhe condena. Eu não voltei porque a janela estava fechada por dentro. Você não sabia, e eu te amava tanto que derrubava os talos dos coqueiros e espalhava o que houvesse no chão daquela pracinha no alto da ladeira. Por que o mapa que eu trazia na mochila não tinha a sua casa? Você e sua mania de se esconder.
Acabei mudando o rumo. Você também. A poesia que escondia em si nosso amor parecia ter morrido. Apenas dormia enquanto eu seguia meu caminho pensando em você. A madrugada nos mostra tudo o que poderia ter sido e não foi. O táxi, o farol e o Sr. Wonka são testemunhas de nós dois.
Sim, a poesia ainda flui e o que sentimos ainda pulsará por muito, muito tempo. Quando eu aparecer outra vez, deixe a janela encostada. E, pra não ficarmos apenas na memória do não vivenciado, por favor, não me deixe voltar.
Atiço suas verdades para mostrar as minhas. O beijo que você não deu lhe condena. Eu não voltei porque a janela estava fechada por dentro. Você não sabia, e eu te amava tanto que derrubava os talos dos coqueiros e espalhava o que houvesse no chão daquela pracinha no alto da ladeira. Por que o mapa que eu trazia na mochila não tinha a sua casa? Você e sua mania de se esconder.
Acabei mudando o rumo. Você também. A poesia que escondia em si nosso amor parecia ter morrido. Apenas dormia enquanto eu seguia meu caminho pensando em você. A madrugada nos mostra tudo o que poderia ter sido e não foi. O táxi, o farol e o Sr. Wonka são testemunhas de nós dois.
Sim, a poesia ainda flui e o que sentimos ainda pulsará por muito, muito tempo. Quando eu aparecer outra vez, deixe a janela encostada. E, pra não ficarmos apenas na memória do não vivenciado, por favor, não me deixe voltar.
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