Texto parido pela embriaguez

9 de março de 2010
Quero dias em mares calmos. Acordar cedo. Isabela não quer. Eu também não. Afinal, quem quer? Amanhã é dia do carro de lixo passar. Falta tempo pra estudar. Onde eu estava quando você ligou? Onde você estava quando eu batia na sua janela, soprando? Dormirei sozinho até sábado. Me empreste seu vinho, faz favor. Tenho enxaqueca com aura. Qual a cor da sua? Às vezes, eu consigo ver. Mostre-me uma luz no seu quarto que eu digo a cor do meu relógio. Ainda me lembro da sua voz. Pergunto por que os nossos links um dia se cruzaram e ninguém responde. Estou sempre atrasado. No ônibus, fico sempre perto de quem vai descer logo, pra tomar assento. Abusei meus óculos, mas sem eles não vejo nada. Você se escondendo também não ajuda. A garrafa do Osadia está vazia. Vou ali, numa adega qualquer, mergulhar e tentar esquecer de tudo, inclusive você.

Olhando pra trás

18 de fevereiro de 2010
Um pedaço meu ficou pelo caminho, eu sinto. E dói não saber onde está.
Em que pensava, quando deixei cair do bolso raso da bermuda o resto de vida que me cabia?

Passarinho

1 de fevereiro de 2010
"Não diga nada,
não fale nada,
não vale nada
o que você tem prá me dizer.
Eu, virei um passarinho,
ando por outros destinos,
que não se cruzam com os teus."
(Naeno)

O que não mais sei

23 de janeiro de 2010
Quero ser assim, para você. Uma conha que, mesmo distante, levada ao ouvido faz você lembrar do mar.
Mas já não sei se sou concha. Ou se sou mar.

Quando nos misturamos

7 de janeiro de 2010
Minha aliança no dedo dela, seu anel na minha mão, o de tucum, que é dela, no seu. Matei saudade desse triângulo amistoso.

Just Say Yes

7 de dezembro de 2009

Hold my hand

30 de novembro de 2009


Why wait any longer for the one you love
When he's standing in front of you

Pra quando eu chegar

24 de novembro de 2009
Não deixe as chaves caírem
nem a mão vacilar.
Numa manhã,
de tanto ventar,
quem sabe eu
não resolva ficar?

Stupid bodies

13 de outubro de 2009
Eram dois estúpidos a se encontrar e não reparar no óbvio. Medo do óbvio, já viu alguém sentir isso? Pois sentiam. E quase mudos, seguiam por calçadas paralelas, separados pelos carros velozes e banhados por luzes amareladas dos postes, numa sexta à noite.

Dessas coisas só dão conta à noite. Que é que tem a noite, pra deixar tudo à vista dos estúpidos e dos sensores de velocidade? Que é que tem a bebida, que esconde no bolso a coragem dos sóbrios que passam a noite tomando suco?

Recado pro vento

24 de agosto de 2009


Quanta vezes eu falei
Porque você não vem
Me chamar.