Eles discutem o preço da contribuição da festinha de natal enquanto abrem a minha pele. E puxam, e puxam, e costuram, e fecham. Eu até queria poder lembrá-los que ali era uma mesa de cirurgia e não uma mesa de bar, mas não pude.
A moça aprendiz de instrumentadora diz não saber preencher fichas e eles riem. Mais uma que não vai durar muito nos corredores do hospitalzinho capitalista, devem ter pensado.
Sala de repouso.
A mulher resmunga três vezes pra que eu mexa o meu pé. E eu fiz o maior esforço pra ver se mexia e, assim, chutar aquela cara de mulher mal paga e mal alimentada.
Dor. Dor. Dor.
Picadas pelo corpo. Reação à anestesia. Corre, enfermeira, traz uma injeção pra cortar o efeito.
Alta.
Nada pra (poder) fazer em casa.
Restam os livros, apostilas, música e este blog.
Voltei.

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