Saudade do sol daqueles dias

28 de maio de 2008
Eu bem queria ser rei do sertão. Um que tivesse carroça e um jumento bem cuidado, desses que não precisam levar chicotadas pra andar. Os bobos da corte poderiam ser meninos que pegam carona embaixo da carroça, do mesmo jeito que eu fazia no meu tempo.

Mas meninos não correm mais atrás dessas coisas hoje em dia. E os jumentos estão mais raros - os bem cuidados, claro. Então meu reinado durou pouco. Só o tempo de eu esquecer a minha adultice (mania de sonhar pouco e se preocupar com as coisas sérias e chatas que só existem na vida dos adultos).

Essas coisas não duram muito e o mundo nos exige mudanças fortes. Mudei de amores e doeu. Mudei de blog e nunca mais fez sol. Abandonei histórias e como sangrou. Quase não sarou. Mudei de empregos, de família (formei uma), de ares, companhias e tudo ainda é tão estranho como o primeiro dia de aula no ensino médio.

Agora o monstro do esquecimento, da indiferença, me atormenta e ameaça. Incomoda não saber por onde anda quem tanto me cativou e despertou em mim ambição por novas amizades. Porque ter todos ao alcance da minha vista era ter o cabresto do caminho nas mãos e, assim, ser o rei do sertão: lá no alto, com amigos até onde a vista abarca.

Eles não estão mais lá, onde sempre podia encontrá-los com suas mesmas vidas. Eu já não uso as mesmas roupas de quando tinha dezesseis. Minha escrita enferrugada já não exibe a coesão das aulas de redação. Tudo segue o fluxo do mundo e dolorosamente percebo que não poderei mais ter aquela época de volta. Porque a vida não é fotografia e, caso fosse, teria todos os meus amigos numa moldura amarelada com uma data no canto. Tempo que eu era rei e não sabia.

2 comentários:

Anônimo disse...

Se eu fosse uma outra pessoa, talvez fosse você. E a simples certeza de que você faz alguém não se sentir tão sozinho no mundo devia te beatificar. Hoje você é o meu espelho. Fica assim comigo pra sempre, fica?

Anônimo disse...

Engraçado como acabamos de conversar exatamente isso, dessa saudade do tempo em que a nossa preocupação era responder comentários e acompanhar os amigos...e então "crescemos" e ficamos chatos, correndo porque a vida nos empurra pra frente e vendo tudo aquilo de que mais gostamos passando rápido pela janela da alma, como se fosse uma névoa, lembrança de um sonho que a gente nem sabe mais se está lá mesmo....Ainda bem que, em algum lugar dentro da gente, esse "reinado" não acaba nunca...embora as vezes a coroa fique um tanto empoeirada...
Mas quem é Rei nunca perde a majestade....nem os amigos!
Beijo