Mensagem

3 de novembro de 2010
Abre aspas, deixa eu passar e não me olhe assim, como quem espera que eu diga algo eloquente e dignificante, justo no instante em que preciso do silêncio dos que rezam, dos que fingem não ouvir o bater da porta às cinco da tarde, ou dos pratos à hora da janta.

[ Quanto a mim o amor passou
Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições
Conserva-nos, escaninho da alma, a memória de seu amor antigo e inútil ]

Fecha aspas, que a frieza da rua, o sereno da noite trazem doenças mais brandas e duradouras que as do amor. E por estas passagens não me cobre mais do que os dias em que estivemos juntos, sorvendo a vida em colher de sopa.

0 comentários: