Anti-conto de fadas (ou Causo de rock no baile das máscaras)

17 de fevereiro de 2009
Mexeu os dedos assim, juntando os indicadores, enquanto acompanhava o rock com os lábios, e o rapaz com o olhar.
O rapaz, com um sorriso acanhado de quem é observado, retribuiu e desviou o olhar, querendo mais do que olhar.
De pé, ao seu lado, vendo a alegria dos que mergulhavam na luz da house, passou por ele tocando seu rosto com a mão.
Queria ficar mais e sentir a outra mão, mas não podia. Precisava sair antes de virar abóbora ou o céu desabar.
Foi o riso e o olhar mais belos que vira nos últimos dias, e isso não lhe saiu da cabeça.
Não trocaram nomes, nem telefones, só o desejo embutido na presença.
Ele não lembrou de deixar o tênis direito como rastro para ser encontrado. E hoje deixa cadarços por onde passa, confiante de que ainda se encontrarão por essas ruas apertadas da cidade.

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